CULTURA EM ALERTA: “A classe artística precisa parar de aceitar migalhas e se unir por representação real”, dispara o cantor e compositor Dhema
O cenário cultural fluminense vive um momento de profunda reflexão e cobrança. Em recente encontro com músicos, compositores e profissionais do teatro no Centro do Rio, o cantor, compositor e gestor cultural Dhema fez um duro e realista diagnóstico sobre a situação atual da categoria. Para ele, a falta de uma representação política legítima e a desunião da base são os principais motivos pelos quais a classe continua sofrendo com repasses vergonhosos de direitos autorais e falta de amparo social.
Historicamente marcados pela informalidade, os profissionais da cultura enfrentam uma realidade invisível aos olhos do grande público: o contraste entre o sucesso das obras nas plataformas digitais e as ruas, e a escassez na mesa de quem as criou. Segundo Dhema, o problema se agrava com o surgimento de falsas promessas em períodos eleitorais.
“É inadmissível ver artistas e compositores veteranos, donos de um patrimônio de obras que o Brasil inteiro canta, recebendo quantias humilhantes de direitos autorais. Aí, basta a política se aproximar para ordens e sociedades aparecerem fazendo propaganda de que ‘agora vai mudar’. Onde esse pessoal estava nos últimos quatro anos?”, questionou o artista.
A Urgência da Representação Própria
Durante o debate, que reuniu lideranças comunitárias e fazedores de cultura da Zona Oeste e da Baixada Fluminense, Dhema defendeu que a única saída para quebrar esse ciclo de abandono é a criação de uma grande corrente de união que culmine na ocupação de espaços de poder por quem realmente pertence ao setor. Para o compositor, o debate técnico e a fiscalização de leis — como o recém-aprovado Sistema Nacional de Cultura — só funcionarão na ponta se houver alguém da própria categoria brigando por isso na Assembleia Legislativa.
A nossa classe, do samba aos bastidores do teatro, precisa entender o tamanho da sua força. Nós geramos emprego, geramos renda e movemos o turismo do estado. Mas a cultura só vai ter o chão da oportunidade e o teto da dignidade quando tivermos um representante que seja nosso de verdade. Alguém que saiba o que é a poeira da estrada, a realidade de um palco e a dor de não ter os seus direitos respeitados”, afirmou Dhema.
O movimento liderado pelo artista propõe transformar o recém-inaugurado espaço de pré-campanha no Centro do Rio em um polo permanente de acolhimento e orientação jurídica sobre direitos autorais para a categoria. A mensagem final deixada pelo compositor ressoa como um chamado urgente para os profissionais da arte: o tempo de aceitar promessas de véspera acabou, e a construção do futuro da cultura fluminense exige pé no chão, união de base e voz própria.
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